Mapa do céu, com constelações marcadas Mapa do céu, com constelações marcadas

Perseidas – Pedras que caem do céu!

Durante o seu trajecto à volta do Sol, o que a Terra mais encontra é o vazio do espaço sideral. Mas esse vazio não é completo: pedaços de lixo artificial à deriva, deixado em consequência de missões espaciais, poeira deixada para trás na passagem de cometas e fragmentos de asteróides, são algumas das surpresas com que a Terra se depara. Felizmente, o nosso planeta dispõe de uma atmosfera que a protege, ou estaríamos constantemente em perigo de sermos violentamente «abatidos» por um desses pedaços de lixo espacial. Mesmo o mais pequeno fragmento, ao chocar com a Terra a velocidade elevada, poderia transportar energia suficiente para matar uma pessoa. Isso só não acontece devido à presença da pequena mas eficaz camada de ar que nos protege.

A atmosfera terrestre é uma camada protectora, relativamente fina e pouco densa. No entanto, tem um efeito devastador para os fragmentos de lixo espacial que chocam com ela. A partir do momento em que chocam, estes fragmentos são designados então de meteoros. A velocidade dos meteoros é normalmente muito elevada. Isso faz com que sofram um atrito muito forte, e que é suficiente para que atinjam uma temperatura de combustão e se desintegrem por completo antes de atingirem a superfície terrestre. Deste modo que a grande maioria dos fragmentos à deriva no espaço, mesmo que colida com a Terra, nunca chega a atingir a superfície. A «frágil» atmosfera que nos envolve actua, assim, como um escudo protector, evitando estragos elevados ou mesmo perigo de vida pela queda de meteoros.

Quando um fragmento de lixo espacial se cruza com a Terra e desintegra na atmosfera, o efeito é geralmente digno de se ver. O fragmento incandescente deixa no céu um traço de luz que rapidamente se desvanece. O comprimento do «traço» depende do tamanho do e do ângulo de entrada na atmosfera.

Praticamente todas as noites se podem avistar meteoros – nome dado aos referidos pedaços de lixo espacial. Basta olhar para o céu durante tempo suficiente. Popularmente chamam-lhe «estrelas cadentes», e atribuem-lhes os mais crédulos ou supersticiosos a capacidade de concretizar desejos formulados na hora (sabe-se lá com base em quê).

Há noites, contudo, em que a frequência de meteoros é muito superior à média, resultando em autênticas «chuvas de estrelas». O número de ocorrências visíveis pode ser acima de trezentas entradas por hora, o que proporciona um espectáculo fascinante.

As «chuvas de estrelas» são previsíveis, e repetem-se anualmente. Acontecem quando a Terra passa em regiões do espaço particularmente poluídas. A origem dessa poluição é normalmente poeira deixada pela passagem de um cometa ou asteróide. Os cometas são enormes bolas de poeira e gelo que viajam, errantes, pelo espaço. Atrás de si deixam um longo rasto de poeira, que pode permanecer durante anos a fio. Quando a Terra intersecta o rasto de um cometa, as «chuvas de estrelas» acontecem, para nosso deleite.

Nos dias 11 a 13 de Agosto teremos uma dessas raras ocasiões. A Terra irá passar na zona do espaço em que permanece o rasto da passagem do cometa Swift Tuttle. Não é uma chuva das mais abundantes, mas pode produzir cerca de 60 meteoros por hora.

Durante uma chuva de estrelas, os meteoros surgem normalmente com maior frequência de uma determinada zona do céu, chamada Radiante. Trata-se, na realidade, de uma ilusão óptica. Como os meteoros descrevem todos trajectórias paralelas, o efeito de perspectiva faz-nos crer que surgem todos do mesmo ponto, que é, então o Radiante.

Esta chuva de Agosto é conhecida como «Perseidas», por ter o seu Radiante em Perseu. A maior parte dos meteoros parece entrar na zona do céu onde fica a constelação de Perseu. Ao cair da noite, Perseu pode actualmente ser localizado a Nordeste.

Para se ver uma chuva de estrelas, a maior parte das recomendações são as mesmas de sempre para os amantes da astronomia: procurar um local escuro, com um bom campo de visão, longe das luzes das cidades. Levar muita roupa é fundamental – nas noites sem nuvens faz sempre frio. Neste caso há ainda uma sugestão adicional: levar uma esteira ou uma manta, porque a posição mais confortável para se observar uma chuva de estrelas é mesmo deitado no chão. Algumas horas de cabeça levantada para o céu acaba por resultar em dor no pescoço. Por isso, deitar no chão torna o acontecimento mais agradável e memorável.

Dia 11 de Agosto deverá ser um dos melhores dias. Mesmo para quem não está de férias, por coincidência calha este ano a um Sábado. E para quem acredita no assunto, não esquecer a lista dos desejos...

 

 

 



Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://www.tecnociencia.etikweb.com/Article-22-Perseidas---Pedras-que-caem-do-c-u-.html

Inserido em: 2007.10.18 Última actualização: 2014.04.30

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Comentários



bola de fogo

eu vi uma bola de fogo cainndo do ceu, oque sera isto??

(Por: marcos)

[Por: @ 2014.04.29 - 18:51 | Responder | Imprimir ]

Re: bola de fogo

Pode ser qualquer objeto que entrou do espaço na atmosfera terrestre. Normalmente são fragmentos naturais de rochas, tipo asteroides. Mas também pode ser um objeto artificial, como um satélite a despenhar-se. Ou até um objeto lançado de um avião que voava a grande altitude. Alguns aviões mais antigos despejavam detritos que depois caiam e se incendiavam também durante a queda. Mas atualmente, em princípio, já não fazem isso.
Só ao ver a bola de fogo é difícil saber ao certo o que era, mas estas são as possibilidades mais prováveis.

[Por: mm @ 2014.04.30 - 04:16 | Responder | Imprimir ]