De olhos na lua

Para os entusiastas da astronomia, da ciência ou simplesmente curiosos, dia 03 de Março há um fenómeno a não perder. Entre as 20H18M de dia 03 e as 02H23M do dia seguinte irá ocorrer um eclipse lunar – vamos estar de olhos na lua!

Como é sabido, a Lua não emite luz própria. Por isso, aqui da Terra só vemos a Lua brilhar quando esta se encontra em posição de reflectir a luz do sol em direcção ao nosso planeta. É por isso também que vemos as fases da lua. Na Lua Nova o nosso satélite encontra-se entre a Terra e o Sol, por isso não reflecte qualquer luz para nós. Nessas alturas só seria visível dos planetas Mercúrio e Vénus. Para nós, a Lua não passa então de um corpo escuro no céu. Durante a Lua Cheia, pelo contrário, esta encontra-se, do nosso ponto de vista, em oposição ao Sol. Desta forma reflecte para nós grande parte da luz que recebe, e por isso a vemos brilhar, mesmo durante a noite.

No entanto, acontece por vezes uma situação curiosa: a Lua passa na sombra da Terra. Uma vez na sombra, o nosso satélite, embora estando em oposição ao Sol, não pode reflectir a sua luz em direcção à Terra. Em consequência, desaparece da nossa vista parcial ou mesmo totalmente. Ocorre então um eclipse lunar, como o que se prevê para dia 03 de Março.

Uma característica destes eclipses é que só podem ocorrer durante a Lua Cheia. Durante os quartos ou a Lua Nova, esta nunca pode passar na sombra da Terra. Outro pormenor interessante é que a sombra do nosso planeta é composta, na verdade, por duas sombras cónicas, uma dentro da outra, como mostra o esquema. A sombra do cone exterior é mais difusa, e geralmente chama-se penumbra. Neste cone a Terra bloqueia apenas parte da radiação solar, enquanto que no interior o bloqueio é mais eficaz.

O eclipse penumbral, isto é, quando a Lua passa na penumbra da Terra, dificilmente é observável, a não ser para profissionais. Para amadores e amantes da astronomia em geral o eclipse só tem interesse quando a Lua passa no «cone interior», mesmo que parcialmente. Quando isso acontece o fenómeno é visível da terra, a olho nu. De resto, vale a pena o tempo e o esforço: cada eclipse é único, pelo caleidoscópio de cores que então vemos na face da Lua. Além disso, o fenómeno não é tão frequente quanto isso. A maior parte das vezes a Lua passa acima ou abaixo do «cone interior», não se gerando qualquer eclipse visível. Os «bons» eclipses, visíveis da Europa, ocorrem menos de uma vez por ano. Quando isso acontece, é um bom motivo para sair à rua. O ideal é procurar um local sem luz (quanto mais escuro melhor) e levar roupa quente. Mesmo que o dia esteja ameno, nas noites claras faz sempre frio, por isso agasalhos nunca são de mais. Uns binóculos 7x50, por exemplo, poderão ser úteis. Devem permitir distinguir melhor as cores que se geram durante o fenómeno.

No dia 3 de Março, entre as horas indicadas acima, a Lua irá então passar na sombra da Terra. O Norte da Lua irá aparecer muito mais brilhante do que o Sul, visto que este estará mais dentro do «conte interior». É um fenómeno a não perder, até porque o próximo eclipse visível a olho nu só deverá ocorrer dentro de um ano, e não será de tanta qualidade como este. Por isso, dia 03 de Março, toda a gente de olhos na Lua!

 

Jornal de Oliveira nº 106, 22 de Fevereiro de 2007

 



Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://www.tecnociencia.etikweb.com/Article-18-De-olhos-na-lua.html

Inserido em: 2007.10.18 Última actualização: 2007.12.01

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