Você casava com um robô?

Um popular “teste” para distinguir se uma pessoa tem efectivamente alguma ponta de racismo é perguntar à pessoa em causa se casava com alguém de outra cor. Curiosamente, muitas pessoas que não são conscientemente racistas, e de todo recusam a ideia de o ser, recusam também a ideia de fazer vida conjugal com uma pessoa de outra cor. Portanto, racionalmente esforçam-se por não ser racistas. Mas no subconsciente ainda não aceitam que uma pessoa de outra cor lhes seja completamente igual, uma vez que não concebem fazer vida conjugal com ela, baseando-se essa escolha apenas na cor da pele.

À medida que a Inteligência Artificial e a Robótica se desenvolvem e produzem robôs cada vez mais sofisticados e com capacidades próximas das humanas, vão também ganhando forma temas como a psicologia das máquinas ou os direitos das máquinas.

O entusiasmo dos anos 50 e 60 do século XX deu origem às mais arrojadas visões e ficções. Séries como o Star Trek, o Espaço 1999, e outras obras de ficção científica, marcaram uma geração e uma época. HAL 9000, do 2001 Odisseia no Espaço, C3PO e R2D2, da Guerra das Estrelas, ou mesmo o Data do Star Trek, são marcos na história da ficção. Quando se percebeu que não iria ser tão fácil assim, construí-los, o investimento na investigação em Inteligência Artificial diminuiu e o entusiasmo deu origem à desilusão.

No entanto, passo a passo a ciência avança e a tecnologia vai-se desenvolvendo. Os robôs de hoje podem não ser tão versáteis como o Data ou o C3PO, mas já aspiram casas sozinhos, guiam aviões e carros e controlam os sistemas mais delicados que velam pela segurança de pessoas e bens. Paulatinamente, vão entrando e conquistando o seu lugar nas sociedades de humanos.

Em alguns museus os guias já não são humanos, mas robôs. Ainda são substancialmente diferentes dos humanos na forma e capacidades, mas o hiato entre uns e outros é cada vez menor.

Os visionários de agora são, em geral, mais prudentes do que os dos anos sessenta do século passado. Nessa altura achava-se que em vinte anos teríamos robôs com capacidades semelhantes às humanas. Hoje o hiato, em vez de diminuir, aumentou. Poucos acham que em vinte anos teremos as super-máquinas. Os mais optimistas apontam para o mínimo de trinta anos, e os mais pessimistas dizem que é possível que nunca lá cheguemos.

Seja daqui por muitas ou poucas décadas, a verdade é que os robôs vão conquistando o seu lugar na sociedade humana. De forma silenciosa, mas dir-se-á irreversível. E com uma vantagem muito grande sobre os humanos: aprendem e adaptam-se muito mais rapidamente. A taxa de evolução das máquinas, embora não seja tão elevada como se pensava, é muitas vezes mais rápida do que o ritmo biológico. O ser humano precisa de milhares de anos para evoluir, e não apenas de décadas. Portanto, a tendência está aí e veio para ficar: vamos ter máquinas cada vez mais sofisticadas, eventualmente conscientes, tão inteligentes como nós e logo mais inteligentes do que nós. Vão ser capazes de realizar operações matemáticas rapidamente, replicar-se, substituir partes e dispor de uma série de outras capacidades de fazer inveja a qualquer humano. Teoricamente, poderão ser programadas de forma a responderem às necessidades e costumes dos humanos, de tal forma que não haverá sequer razão funcional para que um humano não case com o robô. Obviamente que a questão reprodutiva vai ser um óbice difícil de ultrapassar, mas tirando esse aspecto, casar com um robô terá as suas vantagens. Em princípio, este poderá ser adaptado às necessidades e gostos do parceiro humano. Não deverá ter maus humores, nem más disposições, nem stress, e o envelhecimento não deverá ser irreversível. As noções de amor, casamento e divórcio poderão ter de ser revistas. O filme AI roda um pouco em torno desta temática, e pode não ser absolutamente irrealista. Na realidade, a analisar pela tendência das últimas décadas, prevê-se que dentro de 10 anos sejam produzidos em massa computadores com capacidade de processamento semelhante à do cérebro humano. O facto de terem capacidade de processamento semelhante à do cérebro não quer dizer que tenham as mesmas capacidades e funcionalidades, mas daí até as terem o passo já é mais curto. E você casava com um robô?...

 

 



Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://www.tecnociencia.etikweb.com/Article-45-Voc--casava-com-um-rob--.html

Inserido em: 2009.09.30 Última actualização: 2009.09.30

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